Brincar? Onde? Quando? Por quê?

Brincar é um verbo. Podemos usá-lo de várias maneiras (brinquei, brinco, brincarei, brincaremos). Nos quintais desempenhavam funções importantes como as interações entre crianças de diferentes níveis sociais. Estabeleciam regras nas brincadeiras e trocavam informações de acordo com hábitos e costumes. Tinha hortas, árvores frutíferas e até galinhas.

Nos quintas, do ponto de vista econômico, eram acertados negócios. No almoço de domingo, a família e os amigos mais chegados eram sempre bem vindos.

O que podemos concluir é que quintais tinham várias funções e “eram valorizados”. Neles as crianças exercitavam todas as habilidades motoras ou cognitivas.

Sujar a roupa e se sujar faziam parte e era extremamente relevante.

No século XX, os quintais foram transformados primeiramente em “jardins” e depois substituídos por playgrounds, nas moradas de classe média e alta. As crianças passaram a brincar em seus pisos de granito ou mármore, em lugar do chão de terra batida dos antigos quintais. Os balanços que eram amarrados nos galhos das árvores, por exemplo, foram incorporados por essa outra estética típica de nossa época. Em vez de quintal, surgiram parquinhos, quadras, academias e áreas de convivência.

Fico pasma ao ver algumas casas em que os jardins foram substituídos por lajotões. Imagine a terra, minha mãe, enterrada, sufocada cheia de vida, sementes que não podem brotar.

Essas pessoas fazem isso para evitar sujeiras. Já perderam a memória de suas origens. Mas para mim terra não é sujeira: é origem, é destino. Nascemos da terra. Somos nada mais do que terra modificada.

Por esses e outros motivos não fiquem chateados (a) quando seu (a) filho (a) chegar muito sujo da escola.

Adaptado por: Ana Maria S. Pimentel. “A história que se perdeu nos quintais formal”

A Tarde 15/07/07

Minha horta, meu altar por Rubens Alves

 

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