O Letramento da educação infantil

Uma prática significativa através da pedagogia de projetos.

O propósito deste artigo é apresentar o resultado de uma investigação sobre as reais possibilidades de um processo de letramento acontecer através da Pedagogia de Projetos tornando, assim, a aprendizagem significativa e interdisciplinar na Educação Infantil. A pesquisa ocorreu no Colégio Alternativo Talismã, em São José. Este tema surgiu da necessidade de propor uma reflexão sobre o desenvolvimento da leitura e da escrita nos primeiros anos da criança, procurando desmistificar a problemática educacional deste assunto. Ao mesmo tempo, propôs algo possível e viável como um novo projeto de caminhar, de maneira ousada e criativa em relação ao letramento.

Tradicionalmente, a investigação sobre alfabetização tem revelado o fracasso de um sistema linear mecanicista que não atende mais as necessidades básicas da criança do século XXI. A alfabetização da criança na fase inicial da história tem sido determinada pela reprodução e a memorização de letras de maneira fragmentada e descontextualizada da realidade em que estão inseridas. Esta prática se pauta, ainda, em livros didáticos e cartilhas que são os instrumentos palpáveis que trazem passo a passo o desenvolvimento motor e cognitivo das crianças sem levar em conta sua história, cultura e o mundo letrado. Portanto, é necessário mencionar que esta práxis já se encontra ultrapassada pelo fato de não atender com eficiência as novas necessidades das crianças. Além do mais, quando se entende a criança como um sujeito ativo e pensante, que traz consigo toda uma bagagem cultural, é possível perceber que a dinâmica da alfabetização exige criatividade e eficiência, levando em consideração todas as dimensões da criança, ou seja, a social, a efetiva, a cognitiva e a motora.

O processo de letramento corresponde ao produto da participação em prática sociais que usam a escrita como sistema simbólico. São práticas discursivas que precisam da escrita para torná-las significativas. Portanto, acredita-se que, nas sociedades urbanas modernas, não existe grau zero de letramento, pois as pessoas, em todos os momentos, participam de alguma forma, de algumas dessas práticas. Ou seja, desde pequenas estão em contato com a linguagem escrita por meio de seus diferentes portadores de texto, como livros, jornais, embalagens, cartazes, placas de ônibus, etc., iniciando-se no conhecimento desses materiais gráficos antes mesmo de ingressarem na instituição educativa, não esperando permissão dos adultos para começarem a pensar sobre a escrita e seus usos. A partir dessas práticas, as crianças começam a elaborar suas hipóteses sobre a escrita e, dependendo da qualidade das suas intervenções com esse objeto do conhecimento, mais rapidamente evoluirão seus conceitos sobre a prática social da escrita convencional.

Fonte: Revista Direcional Escolas, artigo de “Izabel Cristina Feijó de Andrade e Marlene Furtado.

 

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